quarta-feira, 16 de maio de 2012

CÉLESTIN FREINET


Antônia Alves
Fabíola Affonso
Iara
Vera Moura

Em 15 de outubro de 1896 nasceu Freinet, em Gars, num vilarejo no sul da França. Passou a infância e começo da juventude na zona rural.  Queria ser professor  e estudou na escola normal de  Nice.
Em 1914 com inicio da primeira guerra mundial,  Freinet interrompe os seus estudos e participa do combate. É gravemente ferido nos pulmões  e passa  dois anos  por vários hospitais.
Em 1920, na aldeia Bar-sor-Loup, nos Alpes-Maritimes, Freinet inicia o seu trabalho em uma pequena e mal conservada escola.
Recomeça a estudar sozinho. Observa e registra atentamente os interesses, problemas e a personalidades das crianças.
Interessa-se por autores como Rousseau, Claparède e Ferriére e principalmente por Pestalozzi. É aprovado nos exames de habilitação para professor.
Começou a questionar a eficiência das rígidas normas educacionais: filas, horários e programas oficiais.
Percebeu que o interesse das crianças, estava fora da sala de aula, por isso foi o primeiro a propor as aulas passeio. A partir dessa proposta as crianças iam explorando e descobrindo  coisas inesperadas garantindo significado a aprendizagem. Hoje é chamada de aula das descobertas.
Entre 1922 e 1924  toma contato com importantes trabalhos na área de educação em vários países da Europa e participa do Congresso da liga internacional para Educação Nova.
Procura uma nova técnica de aprendizagem da leitura e da escrita. Durante vários anos cria técnica e teorias nessa direção: “Texto livre” “correspondência escolar” “Imprensa escolar” e ”Livro da vida”.
Freinet  em 1927 editou seu primeiro livro “ A imprensa na escola”.
No mesmo ano é criado a revista “La Gerbe” reunindo texto poemas e desenhos das crianças de várias escolas da França. Nasce a Cooperativa do Ensino Laico – CEL
Realiza-se o primeiro Congresso de Movimento Internacional de Material imprenso na escola.
Em 1928, pediu sua transferência para uma pequena e típica vila medieval: Saint-Paul-de Vence, mesma época em que Èlise tornou-se sua companheira e parceira de trabalho.  Começa a causar inquietação na cidade e em 1933 é suspenso do cargo de professor.  Apoiado por membros do movimento não abandona o seu ideal pela escola popular.  Em 1935 Freinet e Èlise fundam sua própria escola que é inicialmente financiada por sua família e amigos.
Em 1935 no congresso internacional de ensino apresenta as suas ideias em defesa das crianças: a frente da infância.
Nesta época, forma-se a Liga da Educação Francesa, que copiou integralmente o projeto de Freinet inspirando a partir daí, a Reforma do Ensino Francês. 
Em 1939, com início da segunda guerra mundial Freinet é preso e acusado de ser “ um perigoso  líder da resistência”. Sua escola é destruída e ele é levado a um campo de concentração onde fica muito doente.
Èlise  organiza uma ampla campanha, na França e em vários países da Europa, pela libertação de Freinet.
Em 1941, sai da prisão e é acolhido por membros da resistência francesa. 
Em 1945,  Vence reabriu as portas. Em 1947 os militantes decidiram criar o instituto cooperativo da Escola Moderna (Icem) que reafirmava a vocação pedagógica do movimento.  
Chegando em 1948 a contar com 20000 participantes. Em 1955 Freinet lidera um  movimento contra o excesso de alunos  nas salas de aulas conhecido como “25 alunos por sala de aula”.
Freinet escreveu várias obras: “Abaixo as cartilhas escolares”, “ A escola moderna Francesa”, “A educação pelo trabalho”,  “Ensaio de psicologia sensível aplicada á educação”. (As duas últimas obras foram concebidas na prisão).
Em 1957, decidiram formar a Firmem, a Federação internacional dos movimentos da escola moderna consagrando assim o caráter universal das inovações da pedagogia de Freinet. 
Em outubro de 1966 Freinet morreu e Elise continuou a sua obra e os movimentos continuaram a promover mudanças.

Ideias pedagógicas
O seu principal objetivo era desenvolver uma escola popular que não dependesse de tantos recursos para funcionar (criticas à escola nova).
Na sua concepção, a relação direta do homem com o mundo físico e social é feita através do trabalho sejam as atividades coletivas ou individuais. Acredita que “liberdade” é aquilo que decidimos em conjunto.
Tem o “trabalho” como princípio educativo e a “cooperação” como elemento integrativo e formativo na pedagogia Freinet.
Acreditava no potencial criativo, questionador e investigativo das crianças, por isso sua  proposta incentivava o potencial participativo das crianças criando  um clima de envolvimento real nas crianças.
Valoriza o conhecimento prático, as descobertas e o tateamento  experimental ou seja um conhecimento que “se encontra verdadeiramente a serviço da vida.”
Criticava o material didático pronto, impresso e organizado em livros como um conhecimento artificial, ultrapassado que nada tinha a ver com a realidade das crianças fato que para Freinet  desestimulava as crianças.
Era contra o autoritarismo sobre qualquer pretexto, mas é a favor da ordem e da disciplina na sala de aula.
Valoriza a criança sobre todos os aspectos. (intelectual, biológico, social,  afetivo.) Concebe a criança fazendo parte de uma comunidade e não como um  indivíduo isolado.

Invariantes pedagógicas
Freinet criou 30 princípios que chamou de invariantes pedagógicos para orientar as suas convicções e suas ações pedagógicas. A partir destas, fez criticas ao sistema educacional vigente, propôs novos paradigmas, novas condições de trabalhos. Valorizou os atores do processo educativo, sobretudo a criança. Recomendou mudanças nas relações professor/ aluno, na condução das práticas e na aquisição e construção do conhecimento entre muitas outras coisas. Diante disso, vale a pena conferir.

    1.    A criança é da mesma natureza que o adulto.
    2.    Ser maior não significa necessariamente estar acima dos outros.
    3.    O comportamento escolar de uma criança depende do seu estado fisiológico, orgânico e constitucional.
    4.    A criança e o adulto não gostam de imposições autoritárias.
   5.  A criança e adulto não gostam de disciplina rígida, quando isto significa obedecer passivamente uma ordem externa.
  6.   Ninguém gosta de fazer determinado trabalho por coerção, mesmo que, em particular ele não o desagrade. Toda atitude imposta é paralisante.
    7.    Todos gostam de escolher o seu trabalho mesmo que essa  escolha não seja a mais vantajosa.
   8.    Ninguém gosta de trabalhar sem objetivo, atuar como máquinas, sujeitando-se a rotinas nas quais não participa.
    9.     É fundamental a participação para o trabalho.
  10.   É preciso abolir a escolástica. T;;/odos querem ser bem sucedidos. O fracasso inibe, destrói o animo e o entusiasmo. Não é o jogo que é natural nas crianças, mas sim o trabalho.
  11.   Não são a observação, explicação e a demonstração – processos essenciais da escola – as únicas vias normais de aquisição do conhecimento, mas a  experiência tateante, que é uma conduta natural e universal.
  12.   A memória tão preconizada pela escola, não é válida nem preciosa, a não ser quando integrada no tateamento experimental, onde se encontra verdadeiramente a serviço da vida.´
  13.   As aquisições não são obtidas pelo estudo de regras e leis, como as vezes se crê, mas sim pela experiência. Estudar primeiro regras e leis é colocar o carro na frente dos bois.
   14.   A inteligência não é uma faculdade específica, que funciona como um circuito fechado, independente dos  demais elementos vitais do indivíduos, como ensina a escolástica.
  15.   A escola cultiva apenas uma forma abstrata de inteligência que atua fora da realidade fica fixada na memória  por meio de palavras e ideias.
   16.   A criança não gosta de receber lições autoritárias.
   17.   A criança não se cansa de um trabalho funcional, ou seja, que atende aos rumos de sua vida.
  18.   A criança e o adulto não gostam de ser controlados e receber sanções. Isso caracteriza uma ofensa à dignidade humana, sobretudo se exercida publicamente.
   19.   As notas e classificações constituem sempre um erro.
   20.   Fale o menos possível.
  21.   A criança não gosta de sujeitar-se  a um trabalho em rebanho. Ela prefere trabalho individual ou de equipe numa comunidade cooperativa.
   22.   A ordem e a disciplina são necessárias na sala de aula.
  23.   Os castigos são sempre um erro. São humilhantes, não conduzem ao fim desejado e não passam de paliativos.
   24.   A nova vida da escola supõe a cooperação escolar, isto é a gestão da vida pelo trabalho escolar pelos que a praticam,  incluindo o educador.
   25.   A sobrecarga das classes constitui sempre um erro pedagógico.
   26.   A concepção atual das grandes escolas conduz professores e alunos ao anonimato, o que é um erro e cria barreiras.
   27.   A democracia de amanha prepara-se pela democracia  na escola. Um regime autoritário na escola não seria capaz de formar cidadãos democratas.
   28.   Uma das primeiras condições de renovação da escola é o respeito a criança e por sua vez, a criança ter respeito aos seus  professores; só assim é possível educar dentro da dignidade.
   29.   A reação social e política, que manifesta uma reação pedagógica é uma oposição com o qual temos que contar, sem que se possa evita-la ou modifica-la.
   30.   É preciso ter esperança otimista na vida.


Técnicas da pedagogia Freinet
Desenhos livres, textos livres, aulas passeios, jornal escolar, o livro da vida, correspondência interescolar.  Nenhuma das técnicas acima apresentadas terá significado real senão for organizado dentro de uma perspectiva cooperativa. Uma cooperação escolar que vise a participação de todos, pincipalmente a das crianças que assumem a organização das atividades, das rotinas, das tarefas, das decisões etc. tudo acontece cooperativamente.

Objetivos das técnicas Freinet
Ø      Favorecer o desenvolvimento dos métodos naturais da linguagem (desenho, escrita, gramática)
Ø      Matemática
Ø      Ciências naturais
Ø      Ciências sociais

A pedagogia Freinet é centrada na criança e baseada por alguns princípios.
Ø      Senso de responsabilidade
Ø      Senso cooperativo
Ø      Sociabilidade
Ø      Julgamento pessoal
Ø      Autonomia
Ø      Expressão
Ø      Criatividade
Ø      Comunicação
Ø      Reflexão individual e coletiva
Ø      Afetividade

Contribuições para a prática pedagógica hoje
Algumas das técnicas da pedagogia Freinet são incorporadas pela educação infantil hoje. O desenho livre, as aulas passeio, o livro da vida, as rodas de conversas (oportunidade de opinar, sugerir, participar efetivamente da construção do conhecimento, etc.) entre outras.  Podemos observar influências de sua prática e pedagogia principalmente na educação infantil onde há maior flexibilidade curricular e orientações para que o “concreto” e “as vivencias” sejam o norte das suas aprendizagens. Dessa forma notamos,  realidades onde as aulas não são realizadas dentro de sala de aula, mas sim do lado de fora para que as crianças possam fazer suas próprias descobertas,  coletar dados e  informações que irão contribuir para o seu processo de aprendizagem.
Muitos princípios também são incorporados às práticas na educação infantil. Não é raro ver uma proposta ou um projeto pedagógico que não contemple ou se justifique com muitos dos princípios descritos acima. 
Na perspectiva Freinet, a figura do professor ganha nova configuração. No ensino tradicional era considerado como o detentor do saber, nesta, assume outra postura, ou seja, “aquele que ajuda a classe a se organizar numa célula viva que faz cooperativamente a aprendizagem da responsabilidade.” (revista L’Educateur – 10/109/79 -p.7)
Outra inovação diz respeito ao que ele chamou de “imprensa”, pois se formos fazer uma analogia era o “computador” da época. Através dela as crianças puderam registrar seus trabalhos e os professores aos poucos puderam divulgar todo trabalho realizado com seus alunos o que também levou a uma valorização e troca com outros professores de outros lugares.
O incentivo que Freinet proporcionou a seus alunos estimulando que eles escrevessem sem medo, aquilo que lhes viesse a cabeça, pode ser percebido hoje com algumas práticas com incentivo a escrita espontânea  através de registros no blocão, no caderno ou mural.


Apresentação em Power Point
A apresentação elaborada pelo grupo está disponível em: http://www.slideshare.net/perseusilva/freinet-13193109

Referências bibliográficas
Coleção grandes educadores. Celestin Freinet. editora Atta -mídia e educação : apresentação Rosa Maria Whitaker Sampaio


AUDET, Marc.  A pedagogia Freinet. IN: GAUTHIER, Clemont e TARDIF, Maurice. A pedagogia. Teorias e práticas das antiguidade aos nossos dias. Petrópolis: Vozes, 2010. P.253 – 269.


ICEM, Instituto Cooperativo da Escola Moderna. Pedagogia Freinet uma abordagem inicial. Dossiê pedagógico da Revista L’Educateur –  Tradução de Ruth Joffily 10/09/79

http://jornalescolar.org.br/

Nenhum comentário:

Postar um comentário